terça-feira, 9 de janeiro de 2018

RISCO IATROGÊNICO, você sabe o que é isso?!


Iatrogenia refere-se a um estado de doença, efeitos adversos ou complicações causadas por ou resultantes do tratamento médico. Contudo, o termo deriva do grego iatros (médico, curandeiro) e genia (origem, causa), pelo que pode aplicar-se tanto a efeitos bons ou maus.

Em farmacologia, o termo iatrogenia refere-se a doenças ou alterações patológicas criadas por efeitos colaterais dos medicamentos.

De um ponto de vista sociológico, a iatrogenia pode ser clínica, social ou cultural. Embora seja usada geralmente para se referir às consequências de ações danosas dos médicos, pode igualmente ser resultado das ações de outros profissionais não médicos, tais como psicólogos, farmacêuticos, terapeutas, enfermeiros, nutricionistas, dentistas, consultores financeiros, etc.

Além disso, doença ou morte iatrogênica não se restringe à medicina Ocidental: medicinas alternativas também podem ser uma fonte de iatrogenia, de acordo com a origem do termo.

Desde o tempo de Hipócrates que é reconhecido o potencial efeito lesivo das ações de uma pessoa que tenta curar. O princípio da não-maleficência (primum non nocere) é um ponto importante da ética médica, e a doença ou morte iatrogênica causada intencionalmente, ou por erro evitável ou negligência de quem cura, é considera um crime na maioria das civilizações.

Com o desenvolvimento da medicina científica ao longo dos séculos mais recentes, a grande evolução das técnicas e dos medicamentos disponíveis permitiu uma enorme queda da mortalidade iatrogénica.

Há muitas fontes de iatrogenia:

 Erro médico
 Negligência ou procedimentos com falhas
 Suicídio assistido (ex: Eutanásia)
 Má caligrafia nas prescrições
 Interação medicamentosa
 Efeitos adversos dos medicamentos
 Má utilização dos antibióticos, levando à criação de resistências
 Tratamentos radicais
 Erros de diagnóstico
 Infecções nosocomiais
 Transfusões sanguíneas
 Aumentar ocupação em UTIs de hospitais.

Erro médico e negligência:

Condições iatrogénicas não resultam necessariamente de erros médicos, tais como falhas durante uma cirurgia, ou a prescrição do medicamento errado. De fato, tanto os efeitos intrínsecos como os laterais de um tratamento médico podem ser iatrogénicos.

Por exemplo, a radioterapia ou quimioterapia, devido à agressividade necessária dos agentes terapêuticos, causam perda de cabelo (alopécia), anemia, vómitos e náuseas, entre outros.


Estes efeitos são iatrogénicos porque são uma consequência do tratamento médico. Outro exemplo é a perda de função resultante da necessidade de remover um órgão doente, como no caso da diabetes iatrogénica após remoção de parte ou todo o pâncreas.

Noutras situações, pode realmente ocorrer negligência ou falhas nos procedimentos, como quando uma prescrição com má caligrafia leva à dispensa do medicamento errado por parte do farmacêutico, agravar o estado do doente.


Efeitos adversos:

Uma causa muito comum de efeitos iatrogénicos, que acarreta significante morbilidade e mortalidade, é a interação medicamentosa, que ocorre quando um ou mais medicamentos alteram os efeitos de outros que estão a ser tomados pelo paciente, por exemplo aumentando ou diminuindo a sua acção.

Efeitos laterais tais como as reações alérgicas a medicamentos, mesmo quando são inesperadas, são uma forma de iatrogenia. A evolução de resistência aos antibióticos nas bactérias pode ser iatrogénica, já que geralmente ocorre como resultado de uma má utilização dos antibióticos.

Procedimentos médicos não provados:

Existem muitos exemplos, quer no passado como no presente, em que procedimentos foram ou são usados sem provas de que funcionem. Estes tratamentos não provados podem ser uma fonte de doença ou morte iatrogénica.
 
Atualmente, há casos de novos medicamentos (por exemplo contra o cancro) que são usados antes de estarem completas todas as fases do ciclo do medicamento, pelo que ainda são desconhecidos muitos dos seus efeitos.

A justificação para o seu uso, mesmo correndo o risco de causar efeitos laterais graves, é a de que esse doente esgotou todas as hipóteses de tratamento disponíveis, e tenta assim uma "cura desesperada" com um novo medicamento. Também se verificaram situações semelhantes durante o desenvolvimento dos primeiros medicamentos contra a SIDA, numa altura em que não havia opções de tratamento.

A adesão a teorias médicas especulativas já provocou também dano desnecessário a doentes. Os exemplos abundam:

• Wilhelm Fliess, um otorrinolaringologista austríaco, propôs a existência de uma neurose nasal reflexa, tendo tratado muitos pacientes através de anestesia da mucosa nasalcom cocaína, e cirurgia nasal.

• Sir William Arbuthnot Lane, um cirurgião britânico, realizou centenas de colectomias radicais (remoção completa do cólon) porque acreditava que cólons envenenados eram a causa de várias doenças, tais como obstipação, auto-intoxicação e outras.

• A remoção cirúrgica das amígdalas palatinas foi realizada durante várias décadas para um número de doenças, incluindo a suposta prevenção das infecções da garganta (faringite).

Incidência e importância:

A iatrogenia é um fenómeno importante, e um risco severo para os pacientes. Um estudo de 1981 refere que um terço das doenças num hospital universitário eram de causa iatrogénica, que cerca de um em dez eram consideradas major, e que em 2% dos doentes a doença iatrogénica levou à morte.

As complicações estavam mais fortemente associadas com a exposição a medicamentos. Noutro estudo, os principais fatores que levavam a problemas eram uma avaliação inadequada dos pacientes, falta de monitorização e acompanhamento, e a não realização dos testes de diagnóstico necessários.

Apenas nos Estados Unidos, registaram-se no ano 2000:

 12 000 mortes em cirurgias desnecessárias
  7 000 mortes por erros de medicação em hospitais
  20 000 mortes por outros erros hospitalares
  80 000 mortes por infecções hospitalares
 106 000 mortes por efeitos colaterais dos medicamentos (não por erro)


Estes números, que totalizam 225 000 mortes por ano, colocam a iatrogenia como terceira causa de morte nos Estados Unidos, após a doença cardíaca e o cancro, e a uma grande distância da causa seguinte, a doença cerebrovascular.

Ao interpretar estes números, é de notar que:

1.  A maior parte dos dados foram derivados de estudos em doentes hospitalizados.

2. As estimativas são apenas para mortes, e não incluem outros efeitos negativos.

3. As estimativas de morte devido a erro são menores que as do relatório IOM. Se forem usadas as estimativas mais altas, o número de mortes por iatrogenia pode variar entre 230 mil e 284mil.

Fonte:
Wikipedia

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Curso de Operações de Segurança em Altura - COSA

Já fazia tempo que eu queria fazer um curso de trabalho em altura, mas não um curso de Norma Regulamentadora e sim de práticas de rapel.

Esse mês de julho de 2017 tive o prazer de participar do COSA - Curso de Operações de Segurança em Altura, dado pela Subsecretaria de Defesa Civil do Rio de Janeiro. Claro que a Defesa Civil não da cursos para público civil, mas como eu atuo como TST prestador de serviços da Prefeitura do Rio, por isso me foi permitido.

Tive a honra de fazer esse curso juntamente com o GOE - Grupamento de Operações Especiais da Guarda Municipal. 
Esse grupo já vinha com experiência em resgates e retiradas de banner de laterais de prédios... E eu, ali, totalmente zerado de conhecimento pratico de rapel. Mas foi justamente isso que foi bom. Pois todos se uniram para me transmitir as técnicas de cada tipo de nó e laço utilizado, dicas praticas e tudo mais que pudesse ser útil. Sempre gostei como aluno, de absorver a experiência dos instrutores além da matéria, e nesse caso aprendi muito com os instrutores e os amigos que agora fiz!

Mas voltando ao curso. Sempre ouvi falar de um tal de Juratan, que é referência em rapel no Brasil... E quis fazer esse curso por saber que seria dado justamente por ele e sua equipe. Juratan Camara, André Moura e Maurício Bezerra.

Foram cinco dias intensos de curso com instrução e pratica desde o primeiro dia. Fomos instruídos sobre os vários tipos de equipamentos existentes e suas formas de uso, confecção de nós e laços, tivemos vários treinamentos técnicos como os de amarrações e tipos de descidas, treinamento técnico de descidas e ascensões por cordas, treinamento técnico de rapel, ascensão em lugares de difícil acesso e transposição de cordas, treinamento técnico de resgate em alturas (ambientes naturais); treinamento técnico de operações em alturas (ascensão com equipamentos e prossik); treinamento de resgate em alturas (edificações).
O primeiro dia obviamente, na sede da Defesa Civil tivemos mais instruções de equipamentos e nós. Mas ao fim do dia fomos todos para pratica de rapel na parte interna do prédio, saindo diretamente na garagem.
Os dois próximos dias, treinamos as técnicas no Parque do Grajaú, sendo que no primeiro dia tivemos instrução das praticas de ascensão em negativa. Isso é, sem parede! Com as cordas descendo de galhos de árvores. O que é uma prática absolutamente cansativa e exige muita técnica e força. Depois voltamos às técnicas praticas de rapel.

Juratan e sua equipe trabalham com total segurança e são extremamente meticulosos quanto a isso. Por isso mesmo seus nomes são referência na área.

O ultimo dia de curso também foi muito especial, pois tivemos também a honra de estar na Sede dos Bombeiros em Guadalupe. Onde treinamos descida com resgate e obstáculos, passagem de um prédio a outro e por fim, descida de helicóptero.
Ou seja, muito mais do que curso de NR. Mas claro, são cursos com focos diferentes, e eu queria isso, um curso de praticas de rapel!

Mas tudo bem para quem se interessar, pois o Juratan também faz cursos e eventos em sua empresa, o Clube do Sócio Radical. A empresa oferece cursos diversos, caminhadas ecológicas, escaladas, rapel, arvorismo, tirolesa, canoísmo e muito mais. 





sexta-feira, 9 de junho de 2017

Entendendo as RAC’s da Vale

Quando eu era iniciante na Segurança do Trabalho, eu organizava e digeria mais e mais tudo o que havia aprendido no curso, mas mesmo assim se descortinava diante dos meus olhos cada vez mais universos inteiros de siglas e coisas a se saber e aprender.

Isso não me assustava, mas me irritava quando via algumas pessoas guardando informações, me escondendo ou omitindo explicações para talvez poder se sentir mais do que é e valorizar covardemente seu trabalho.


Eu me mantinha humilde e pedia explicações, mas cheguei até a ouvir de um sujeito, que ele não tinha tempo e, que se eu quisesse mesmo saber, então que o procurasse na empresa onde trabalhava e lá ele me atenderia melhor. Bom, penso eu que se na rua, com todo tempo do mundo ele não podia me dar uma explicação simples e breve, em horário de trabalho então que não iria mesmo!

A pergunta em questão era sobre o que eram os tão falados RAC’s da Vale, mesmo que eu visse explicações na internet algumas questões não me eram claras. Não era também nada que em cinco minutos de conversa informal ou menos não pudesse ser explicado.

Com isso, resolvi escrever esse post com uma informação breve e direta para os interessados que me precederem nessa busca por conhecimento e também, aos que pretendem um dia atuar dentro das áreas da Vale.

Partindo do zero é certo ter em mente que cada indústria tem suas regras de procedimento. Essas regras precisam ser conhecidas antes do candidato adentrar a área de trabalho para não agir fora do proposto.

Na Vale não é diferente, e há inúmeras regras a se conhecer e seguir. E em muitos casos para adentrar ao complexo industrial é preciso ter um passaporte. Só co ele se tem sua entrada liberada... Mas não ainda suas atividades! Para ter as atividades liberadas você deve ter recebido devido treinamento nos Requisitos de Atividades Críticas (RAC) relativos à atividade que irá exercer. Quando se tem esses cursos, os mesmos são relacionados no passaporte, assim tornando a pessoa apta a exercer alguma atividade dentro do complexo industrial. Apta não quer dizer que possa sair fazendo a atividade sem um supervisor e uma ordem de serviço! Há fiscalizações passando o tempo todo, e tudo têm que estar certo pra evitar problemas, acidentes e até sabotagens e espionagem industrial.

Existem ao todo 11 RAC’s e fazem parte do (SGSS) Sistema de Gestão de Saúde e Segurança da Vale.
 
RAC 01 – TRABALHO EM ALTURA
O trabalho em altura é realizado através de escadas, andaimes, plataformas aéreas, cadeiras suspensas, telhados equipamentos elevados, postes, torres, dentre outros, onde  haja potencial para quedas de nível diferente. Os principais aspectos de prevenção estão relacionados à especificação e à condição dos equipamentos bem como ao uso de capacetes e cinturões de segurança.

RAC 02 – VEÍCULOS AUTOMOTORES
Aplica-se aos veículos com capacidade de até 5 passageiros, veículos de carga, minivans, vans, mico-ônibus e automóveis com capacidade de 12 passageiros para áreas de prospecção mineral. Os principais aspectos de prevenção estão relacionados aos dispositivos de segurança, à condição dos veículos, além  do comportamento seguro da parte dos motoristas.

RAC 03 – EQUIPAMENTOS MÓVEIS
Aplica-se a todos os equipamentos móveis, tais como: escavadeiras, pás carregadeiras, tratores de esteira/pneus, motoniveladoras, motoescreiper, retroescavadeiras, caminhões fora de estrada e outros caminhões. Os principais aspectos de prevenção estão relacionados às vias de circulação, aos dispositivos de segurança, à condição dos equipamentos, além do comportamento seguro da parte dos operadores.

RAC 04 – BLOQUEIO E SINALIZAÇÃO
Aplica-se ao bloqueio de fontes de energias (elétrica, mecânica, hidráulica, pneumática, química e térmica) durante construção, montagem comissionamento, operação, manutenção, retorno ao serviço, emergência modificação de equipamentos e descomissionamento. Os principais aspectos de prevenção estão relacionados à emissão da Permissão de Trabalho e à aplicação correta dos dispositivos de bloqueio e sinalização.

RAC 05 – MOVIMENTAÇÃO DE CARGA
Aplica-se a todas as atividades de guindar, transportar e movimentar cargas. Os principais aspectos de prevenção estão relacionados à especificação e à condição dos equipamentos e dos acessórios, ao planejamento da atividade, inclusive à capacidade de carga, além do comportamento seguro por parte dos operadores e das demais pessoas envolvidas.

RAC 06 – ESPAÇO CONFINADO
Espaço confinado é um local não projetado para ocupação humana contínua, com  meios limitados de acesso, que possua ou possa vir a possuir uma das seguintes condições:

1) Ventilação insuficiente para remover contaminantes; ou

2) Deficiência ou enriquecimento de oxigênio.

Os principais aspectos de prevenção estão relacionados à emissão de Permissão de Trabalho, ao uso de Equipamentos de Proteção Individual e ao acompanhamento contínuo de um vigia.

RAC 07 – PROTEÇÃO DE MÁQUINAS
Aplica-se a todas as máquinas, equipamentos e sistemas operacionais que possuam partes móveis ou provoquem lançamento ou queda de materiais ou fragmentos. Os principais aspectos de prevenção estão relacionados à  especificação e à integridade das proteções, bem como ao cumprimento do requisito de não se retirar inadvertidamente as mesmas.

RAC 08 – ESTABILIZAÇÃO DE TALUDES
Aplica-se a todas as atividades que envolvam projeto, construção, inspeção, manutenção e recuperação de taludes de cortes, taludes de aterros, pilhas de quaisquer materiais, incorporando as obras de contenção em desníveis de terra criados ou existentes. Os principais aspectos de prevenção estão relacionados ao projeto dos taludes e à verificação diária da condição dos mesmos.

RAC 09 – EXPLOSIVOS E DETONAÇÃO
Aplica-se a todas as atividades de manuseio, fabricação, transporte, armazenagem, carregamento dos furos e detonação de explosivos. Os principais aspectos de prevenção estão relacionados às condições de armazenamento e transporte.

RAC 10 – PRODUTOS QUÍMICOS PERIGOSOS
Aplica-se a todas as atividades que envolvam manuseio, transporte e movimentação interna e armazenamento de produtos químicos perigosos em qualquer estado físico (sólido, líquido ou gasoso). Os principais aspectos de prevenção estão relacionados às condições de armazenamento, à disponibilidade de recursos de emergência e ao uso de Equipamentos de Proteção Individual.

RAC 11 – TRABALHO COM ELETRICIDADE
Aplica-se às atividades em instalações elétricas e aos serviços com eletricidade. Os principais aspectos de prevenção estão relacionados à especificação e à condição dos equipamentos, bem como ao uso e a Equipamentos de Proteção Individual.


terça-feira, 9 de maio de 2017

As Quatro Fases da Ergonomia

Ergonomia é por definição a ciência que estuda a relação entre o Homem e o trabalho que executa, procurando desenvolver uma integração perfeita entre as condições de trabalho, as capacidades e limitações físicas e psicológicas do trabalhador e a eficiência do sistema produtivo.

Este termo se originou a partir do grego ergon, que significa “trabalho”, e nomos, que quer dizer “leis ou normas”.

Em agosto de 2000, a IEA (Associação Internacional de Ergonomia) adotou a definição oficial a baixo:

    A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem estar humano e o desempenho global do sistema.

Essa ciência teve seu reconhecimento e desenvolvimento mais nitidamente em função dos avanços tecnológicos do século XX, principalmente após a 2ª guerra mundial, quando as incompatibilidades entre o progresso humano e o progresso técnico tornaram-se mais evidentes.

Com isso, podemos dizer que a ergonomia teve varias fases em sua trajetória. Hendrick (1993), listou quatro fases que descrevo a seguir.

1) Ergonomia de Hardware ou Tradicional:
Concentrou os estudos nas características (capacidades e limites) físicas e perceptivas do ser humano e na aplicação dos dados no design de controles, displays e arranjos de interesse militar. Isso pois os equipamentos militares (aviões mais velozes, radares, submarinos e sonares) exigiam dos seus operadores decisões muito rápidas e complexas em situações críticas de combate na ocasião das gerras.

2) Ergonomia do Meio Ambiente:
Tem o interesse de compreender melhor a relação do ser humano com seu meio ambiente (natural ou construído). Preocupa-se com efeitos de temperatura, ruído, vibração, iluminação e aerodispersoides.

3) Ergonomia de Software ou Cognitiva:
Lida com questões de processamento de informação. Seu campo de trabalho é fortalecido pela informatização de processos e produtos, que exige, cada vez mais, uma economia de interface com o usuário.

4) Macroergonomia:
Enfatiza a interação entre os contextos organizacional e psicossocial de um sistema. Diferencia-se das demais fases por priorizar o processo participativo. Isto garante que a intervenção ergonômica tenha um melhor resultado, reduzindo a margem de erros de concepção e que as modificações tenham melhor aceitação por parte dos trabalhadores.

domingo, 9 de abril de 2017

Getúlio Vargas o Pai dos Trabalhadores

Outro dia ouvi uma pessoa reclamando do Brasil. Ele comparava o Brasil com países de primeiro mundo e reclamava que o nosso país é um país de vagabundos. Que até nossos direitos são errados, que só no Brasil existe férias remunerada, hora de almoço... Eu já nem o ouvi mais. 

Por que temos que ser iguais aos outros, por que não podemos pensar em ser um exemplo aos outros! Melhorar a partir do que temos, sempre! Não copiar os outros. 

Nem tudo dos países de primeiro mundo é bom simplesmente por que é de lá. Ou será que até o que é ruim temos que copiar, e é bom só por que não é daqui! E a coisa vai tão longe que os “intelectuais” reclamam dos benefícios que temos! 

Mas claro quem estava dizendo isso era “um rico intelectual”, bem viajado, dono de escolas espalhadas por todo país. A situação dele não é de proletário trabalhador como da maioria, e como burguês, os direitos dos trabalhadores o incomodam.
Hipócrita, nem discuti. Mas fiquei a pensar. Ele não é o único a estar vomitando essas coisas por aí. O que gera um desserviço a própria pátria, um burburinho que vai crescendo até que toma vulto tal que acabam lutando por isso realmente nas altas instancias.

Fiquei pensando o quanto as pessoas não tem uma visão histórica das coisas, ou mesmo não buscam informação. As matérias de TV e jornais também são tendenciosas para levar ao povo ao imediatismo, e no contexto final, o povo fica contra o povo... Achando estar lutando inteligentemente pelos seus direitos.

Fiquei lembrando do começo de tudo, pensando no momento da industrialização do Brasil. Onde Getúlio Vargas em São Januário, “hoje o estádio do Vasco” no dia 1 de maio de 1939 cria a Legislação Trabalhista e um ano depois também cria a CLT "Consolidação das Leis do Trabalho", daí surgindo por conseguinte todas as Normas Regulamentadoras, foi nascendo o que hoje é o a Previdência Social e o Sistema Único de Saúde para dar atendimento a esse novo modelo de trabalhador “agora industrial” que vinha ficando doente e se acidentando. 

Surge nesse momento com toda a regularização e benefícios como: 

- Carteira de trabalho; 

- Décimo terceiro salário; 

- Férias remuneradas; 

- Licença a maternidade... 

E tudo isso foi embasado nas normas internacionais traçadas pela OIT "Organização Internacional do Trabalho" através da ONU "Organização das Nações Unidas" para criação de um cenário minimamente aceitável para esse novo quadro trabalhista do nosso país.  
Estávamos naquele momento saindo de um período da nossa história que nossa economia era voltada à agricultura “Café, açúcar, borracha, e outros” e entrando na industrialização. Claro que tudo que é novo requer adaptação e é claro que muitos acidentes nascem nesse momento. Getúlio foi muito proativo nesse sentido criando leis que protegeriam os trabalhadores e seus processos de trabalho. O que pareou no sentido legal o Brasil daquele momento com os países já industrializados. Estes por sua vez haviam aprendido a duras penas que não se deve ver o homem como maquina, que acidentes de trabalho e doenças de trabalho geram problemas não só para o funcionário, mas tem impacto também na produção e no bolso do patrão!

O tempo passou, vivemos outro momento da história. Um momento informatizado, com cada vez mais maquinas fazendo o trabalho do homem. E é fácil ver como nossa história já foi esquecida. Ou talvez nem seja do conhecimento de quem sai por aí falando... "em plena era da informação!".

Precisamos dar valor ao que temos, e administrar nossas fraquezas, e não falar mal até do que temos de bom, como se o certo fosse só o que há lá fora. Aliás, “lá fora” as pessoas costumam ser nacionalistas enquanto nós brasileiros, somos os primeiros a pichar o nosso país!

Aí eu pergunto: 
-Realmente, em muitos países desenvolvidos não há férias remunerada, nem horário de almoço e etc. Mas isso é bom? Ou melhor isso é HUMANO?! 

Como podemos hoje estar reclamando das leis que nos apoiam? Tudo começa assim, com falatório de formadores de opinião. Quando perdermos mais e mais direitos vamos mesmo culpar os políticos?!

Pensem bem...